Síndrome Genitourinário da Menopausa: Individualizar o Tratamento

21 Feb 2025
16 min de leitura

O síndrome genitourinário da menopausa (SGM) afeta aproximadamente 50% das mulheres pós-menopáusicas. Compreender os sintomas, diagnóstico e opções de tratamento é essencial para otimizar a saúde e qualidade de vida durante esta transição.

O Que é o Síndrome Genitourinário da Menopausa?

O síndrome genitourinário da menopausa (SGM) é definido como sinais e sintomas genitourinários associados à deficiência hormonal pós-menopáusica. Engloba a atrofia vulvovaginal (AVV) e apresenta-se com alterações anatómicas, sintomas genitais (secura, ardor, irritação), sintomas sexuais (lubrificação diminuída, dor durante o coito) e sintomas urinários (urgência, disúria, infeções recorrentes). As mulheres podem apresentar alguns ou todos estes sinais e sintomas, que devem ser incómodos e não melhor explicados por outro diagnóstico.

Prevalência e Impacto do SGM

Aproximadamente 50% de todas as mulheres pós-menopáusicas nos EUA têm SGM, mas apenas 6%-7% são tratadas. Muitas mulheres desconhecem que os sintomas progridem sem tratamento e que existem tratamentos seguros e eficazes disponíveis. O SGM interfere significativamente com a intimidade física, relações sexuais, qualidade de vida sexual e relacionamentos. Estudos mostram que 64% das mulheres com sintomas de AVV experienciam sexo doloroso e 64% relatam perda de libido. Aproximadamente 30% citam desconforto vaginal como razão para pararem de ter relações sexuais.

Diagnóstico do Síndrome Genitourinário da Menopausa

O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e exame físico. Os achados gerais incluem pele pálida, eritema, secura, petéquias, ulcerações, friabilidade e perda de elasticidade. Externamente, observa-se adelgaçamento da pele vulvar, perda de almofadas de gordura, lábios menores diminuídos e prepúcio retraído. Internamente, há adelgaçamento do epitélio vaginal, vagina estreitada/encurtada, rugas diminuídas e secreções reduzidas. Testes laboratoriais como o Índice de Maturação Vaginal, pH vaginal e rastreio com zaragatoa vaginal podem apoiar o diagnóstico, mas não são necessários quando o exame físico é consistente com SGM.

Diagnóstico Diferencial: Excluir Outras Condições

É importante excluir outras condições que podem causar sintomas semelhantes. A vaginose bacteriana apresenta corrimento transparente, branco ou cinzento com odor a peixe, sem inflamação vaginal. A candidíase caracteriza-se por corrimento branco espesso, prurido, disúria, dispareunia e inflamação vulvovaginal. A tricomoníase apresenta corrimento verde-amarelo espumoso, dispareunia e inflamação vaginal. Outras condições a considerar incluem dermatite de contacto, líquen plano, líquen escleroso e malignidade. O rastreio com zaragatoa vaginal (PCR, cultura, microscopia) ajuda a excluir infeções concomitantes.

Alterações Urinárias Associadas ao SGM

O SGM está associado a alterações significativas no trato urinário. Ocorre adelgaçamento da mucosa da uretra e bexiga, encurtamento uretral, formação de carúncula uretral e enfraquecimento do esfíncter. A capacidade de armazenamento da bexiga reduz-se, o volume residual pós-miccional aumenta e aumentam as contrações não inibidas do músculo detrusor. Estas alterações resultam em sintomas de urgência, disúria e infeções do trato urinário recorrentes. Estudos mostram que estrogénios vaginais reduzem significativamente as ITUs recorrentes comparado com placebo.

Impacto do SGM na Função Sexual e Relacionamentos

O SGM tem um impacto profundo na sexualidade e relacionamentos. Estudos mostram que 55% das mulheres experienciam secura vaginal, 44% dispareunia e 37% irritação vaginal. Mulheres com AVV têm 4 vezes mais probabilidade de ter disfunção sexual feminina do que mulheres sem AVV. O impacto estende-se além do sexo: mulheres relatam usar roupa larga constantemente, experienciar dor ao andar ou viajar, e evitar atividades sociais devido ao desconforto. Parceiros masculinos também são afetados, com 59% percebendo sexo doloroso e 78% evitando intimidade.

Impacto do SGM nas Atividades Diárias e Qualidade de Vida

O SGM afeta significativamente a vida diária das mulheres além do aspecto sexual. Mulheres descrevem sensações de 'lixa' durante atividades como limpeza da casa ou viagens de carro. O desconforto é constante durante atividades que envolvem movimento ou pressão na área genital. Muitas mulheres reduzem significativamente as suas atividades sociais e exercício físico devido ao desconforto. Este isolamento social e redução da atividade física têm implicações negativas para a saúde mental e bem-estar geral. O reconhecimento de que o SGM é uma condição médica tratável, e não parte inevitável do envelhecimento, é crucial para motivar as mulheres a procurar tratamento.

Opções de Tratamento para o SGM

Existem múltiplas opções de tratamento para o SGM, que devem ser individualizadas. As opções não hormonais incluem atividade vaginal regular (individual, com parceiro ou com dispositivo), atividade sexual não penetrativa, fisioterapia do pavimento pélvico, lubrificantes vaginais, hidratantes vaginais de longa duração, lidocaína tópica e laser. As opções hormonais incluem terapia estrogénica vaginal de baixa dose, DHEA vaginal, ospemifeno e terapia estrogénica sistémica. A escolha do tratamento deve considerar a severidade dos sintomas, preferências da mulher, contraindicações e resposta anterior a tratamentos. Muitas mulheres beneficiam de uma abordagem combinada, começando com medidas não hormonais e progredindo para opções hormonais se necessário.

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