Uma análise baseada em evidências sobre a terapia hormonal de substituição, benefícios, riscos e quem pode beneficiar.
A Terapia Hormonal de Substituição (THS), também conhecida como Hormone Replacement Therapy (HRT), é uma das intervenções mais discutidas e controversas na medicina da menopausa. Apesar de décadas de pesquisa, muitos mitos e mal-entendidos persistem. Este artigo desconstrói os factos científicos baseados em evidências de investigadores americanos de renome.
A THS envolve a administração de estrogénio, progesterona ou uma combinação de ambos para aliviar os sintomas da menopausa e potencialmente reduzir certos riscos de saúde. Existem várias formas de administração: comprimidos orais, adesivos transdérmicos, géis, cremes vaginais e implantes.
"A THS continua a ser a opção mais eficaz para aliviar sintomas vasomotores moderados a graves durante a menopausa." - Dr. JoAnn Manson, Harvard Medical School
A THS é altamente eficaz no alívio de afrontamentos e suores noturnos, com taxas de eficácia de 80-90% em mulheres com sintomas moderados a graves.
Referência: Estudo WHI (Women's Health Initiative) - Manson JE, et al. (2013). "Menopausal Hormone Therapy and Long-term All-Cause and Cause-Specific Mortality." JAMA.
A THS reduz significativamente a perda óssea durante a menopausa e diminui o risco de fracturas, particularmente em mulheres que iniciam a terapia próximo à menopausa.
Referência: Dr. Wulf Utian, Presidente Emérito da North American Menopause Society (NAMS) - "Hormone replacement therapy and the endometrium." Fertil Steril. 2005.
Contrariamente ao mito popular, estudos recentes mostram que a THS não aumenta significativamente o risco cardiovascular em mulheres saudáveis que iniciam a terapia próximo à menopausa (janela de oportunidade).
Referência: Manson JE, et al. (2017). "Menopausal Hormone Therapy and Long-term Cardiovascular and Cancer Outcomes." JAMA Cardiology.
O risco aumentado de cancro da mama associado à THS é pequeno e reversível. O risco é maior com THS combinada (estrogénio + progesterona) do que com estrogénio isolado, e diminui após a interrupção da terapia.
Referência: Dr. Rowan Chlebowski, investigadora do WHI - "Estrogen plus Progestin and Breast Cancer Incidence and Mortality." JAMA. 2010.
Estudos recentes sugerem que a THS pode ter efeitos neuroprotectores, particularmente quando iniciada próximo à menopausa, potencialmente reduzindo o risco de declínio cognitivo.
Referência: Dr. Pauline Maki, Universidade de Illinois - "Hormone Therapy and Cognitive Function." Climacteric. 2012.
Facto: O risco é pequeno e deve ser pesado contra os benefícios. Mulheres sem histórico de cancro da mama e com sintomas moderados a graves podem beneficiar significativamente.
Facto: A THS não causa ganho de peso significativo. O ganho de peso durante a menopausa é multifatorial e relacionado com a idade, metabolismo e estilo de vida.
Facto: A THS é segura para a maioria das mulheres, especialmente quando iniciada próximo à menopausa e em doses eficazes mais baixas.
Facto: A THS não é apropriada para todas. Mulheres com histórico de cancro da mama, trombose ou outras condições específicas devem explorar alternativas.
Segundo as diretrizes da NAMS e da American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG):
A Terapia Hormonal de Substituição continua a ser uma ferramenta valiosa na gestão dos sintomas da menopausa, com um perfil de segurança favorável quando utilizada apropriadamente em mulheres adequadamente selecionadas. A chave é uma decisão informada e compartilhada entre a mulher e o seu médico, pesando benefícios individuais contra riscos potenciais.
"A menopausa não é uma doença, mas os sintomas da menopausa podem significativamente afetar a qualidade de vida. A THS, quando apropriada, pode ser transformadora." - Dr. Wulf Utian
Nota: Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento médico profissional. Consulte sempre o seu médico antes de iniciar ou modificar qualquer tratamento hormonal.